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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Visita do Santo Papa

Hoje, quando fui levar os meus filhos ao infantário, atravessei uma vila vazia e deixei-os numa escola (Santa Casa da Misericórdia, privada) quase silenciosa, porque eram poucos os meninos que lá estavam.
"Hoje é feriado" informou-me uma das professoras.
Bem sei que o Estado deu tolerância de ponto aos seus funcionários, para que os mesmos possam acompanhar a visita do Santo Papa. Acho que o país se engalanou de uma forma bonita para receber Bento XI, personalidade por quem sinto o mais profundo respeito e admiração.
Se foi ou não sensato dar tolerância de ponto aos seus funcionários nesta fase difícil que o país atravessa é talvez questionável. Mas o que me parece mais grave (e o problema é muito anterior à visita) é sentir de uma forma quase palpável o quanto esta vila (e o país, creio) depende do Estado.
A Câmara Municipal, a Repartição de Finanças e o Tribunal estão fechados e a vila parada.
A actividade económica privada parece quase não existir.

É desanimador.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Nós nascemos para ter asas, meus amigos.

Ontem fomos fazer sementeiras para a horta, depois da escola.
Forrei umas caixas de fruta com jornais velhos (depois mostro fotografias) e enchi-as com terra, para que funcionem como viveiros.
Depois de um lanche de iogurtes (quase, quase a dar início à temporada dos piqueniques) deitámos os 3 mãos à obra, sob a vigilância do mais pequenino, que nos olhava curioso, sentado no "ovo".
Quando estava na tarefa de forrar as caixas com os jornais dei uma leitura rápida à página que tinha na mão, do Expresso de dia 20 de Fevereiro e encontrei este tesouro:

"Nós nascemos para ter asas,
meus amigos.
Não se esqueçam
de escrever
por dentro do peito:
nós nascemos para ter asas.
(...)Aceitemos esta hipótese,
apesar
de não termos dela
qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo.
Abram as janelas.
Podem sair."

José Fanha, Asas


Bom fim de semana para todos!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Esta história é tão, tão triste.
Como é que com 11 anos se tem uma dor tão profunda na alma que achamos que a melhor solução é desaparecer nas águas revoltas de um rio?
Como é que não houve um abraço de uma mãe, pai, avó, tia, suficientemente forte e carinhoso para lhe dar coragem e a esperança de que a vida pode ser bonita? Ou uma escola preocupada, que tivesse actuado severamente, logo no início do caso, sobre os agressores?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Maternidade

Já percebi que a maternidade dos nossos dias não é uma questão pacífica. Li isto no Público.

Quando tirei a minha licenciatura estava longe de imaginar que os meus dias iriam ser passados assim, entre cerelác, plasticinas e legos, ir levar e buscar (por volta das 16.30, não mais) uns à escolinha e passar o dia a dar de mamar, mudar fraldas e cantarolar ao mais pequenino.
A verdade é que só nos apercebemos das exigências da maternidade quando os filhos começam a nascer.
Quando a princesinha nasceu tudo foi mágico, tanto o pai quanto eu trabalhávamos mas foi fácil adaptarmos a nossa vida à vinda de um bébé. Como eu trabalhava por conta própria consegui tê-la por perto até ela fazer 12 meses, altura em que entrou na escolinha.
Quando o príncipe risonho nasceu já começou a ficar mais complicado. Não temos avós ou tias a viver por perto para darem uma ajuda. Como eu estava a atravessar uma fase profissional difícil, fui eu que naturalmente fiquei em casa para tratar deles.
Agora que nasceu o 3º príncipe a questão já nem se põe. Um de nós (mãe ou pai) tem de estar disponível para o agregado familiar.
Temos uma casa tranquila, alegre, nunca há nervosismos sobre quem os consegue ir buscar à escolinha, quem pode ficar com eles em casa quando estão doentes, há sempre comida quentinha feita e roupa dobrada.
Agora estou serena quanto ao caminho que estamos a seguir mas fui muitas vezes assaltada pelo medo de não estar a fazer uma carreira profissional, de ter tirado uma licenciatura para nada. Por isso percebo bem todas as mães da minha geração que não querem abdicar da sua profissão para cuidar dos filhos. Há ainda as que não podem, porque o agregado familiar não consegue subsistir só com um ordenado ao fim do mês.
A questão é que pelo que me apercebo ao observar os meus 3 pequeninos e todas as crianças que me rodeiam é que todas precisam de tempo e disponibilidade. Tempo de qualidade é certo mas, em grande quantidade. Pelo menos nos primeiros anos de vida.
Seria bom que a maternidade e a família fossem olhadas com outra nobreza pela sociedade actual e lhe fosse dada a importância devida.
Seria bom também que o casal decidisse entre si qual dos progenitores tem maior disponibilidade para as crianças e essa responsabilidade não fosse sempre empurrada para a mãe, que tem tanto direito como o pai de querer fazer carreira profissional.

Tenho a sorte de viver com um príncipe encantado que me olha todos os dias com admiração sincera. Ajuda muito.